A RADIO EM LISBOA



POSTOS DE RADIODIFUSÃO ATÉ 1975

    A radiodifusão portuguesa teve o seu primeiro fôlego a 24 Abril de 1914, altura em que Fernando Cardelho de Medeiros, efectuou o que pode ser considerado o primeiro programa radiofónico português, a 24 de Abril de 1914. Outras emissões se seguiram, mas sempre no domínio da Telefonia Sem Fios e não no da radiodifusão. As primeiras tentativas de montar uma estação emissora de radiodifusão sonora em Portugal, são fruto do esforço de particulares, em especial do radioamador Abílio Nunes dos Santos Júnior (P1AA).

NOME: Rádio Portugal (1925) / Estação Rádio de Lisboa (1927)
INDICATIVO OFICIAL: P1AA (1924), CT1AA (1927)
FUNDAÇÃO: 1924
FECHO: 1934
INSTALAÇÕES: Rua do Carmo (1925); Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 144
PROPRIETÁRIO: Abílio Nunes dos Santos Júnior
EMISSÃO O.M. : 335 m (1925), 320 m (1926)
    O posto P1AA iniciou as suas emissões em 30 de Setembro de 192., mas até Março do ano seguinte as emissões eram irregulares e muito experimentais. Este posto estava instalado nos “Grandes Armazéns do Chiado” - propriedade da família de Abílio Santos – que eram representantes em Portugal dos rádios Phillips e R.C.A.. Era preciso criar a necessidade nos portugueses receptores radiofónicos para que estes se possam vender. Não é de estranhar que grande parte das casas que comercializavam material eléctrico instalasse postos de Telefonia Sem Fios, criando para isso uma maior oferta radiofónica. As emissões estrangeiras chegavam a Portugal muito deficitariamente e nem sempre eram escutadas nas melhores condições, devido às enormes interferências de aparelhos eléctricos industriais, nomeadamente as dos reclames luminosos nas grandes cidades.
    A emissão que foi feita a 1 de Março de 1925, inaugurou a era das emissões regulares em Portugal. Nos primeiros tempos de emissão o indicativo de chamada era “P1AA – Rádio Portugal”. Este posto foi forçado a fechar portas a 07 de Maio de 1925, por decreto da Administração Geral dos Correios e Telégrafos que manda selar todos os postos emissores. O governo desconfiava que as estações de radiodifusão existentes poderiam ter enviado notícias falsas para o estrangeiro sobre tentativa de golpe militar de 18 de Abril.
    Embora fosse possível voltar a emitir a partir de 2 de Julho, o Posto P1AA só voltaria às emissões a 25 de Outubro de 1925, passando, então, a utilizar o indicativo “CT1AA - Estação Rádio de Lisboa”. Foi a mais famosa rádio lisboeta dos anos 20 e 30, pioneira em muitos aspectos, e por isso talvez a mais conhecida de todas, já que jornais e revistas lhe dedicaram várias reportagens. Esta emissora é considerada como a primeira verdadeira Estação emissora de Radiodifusão Sonora em Portugal, pois funcionava em moldes muito semelhantes aos que viriam a surgir nos anos 40. A “CT1 AA” chegou, inclusive, a ter equipamento americano a funcionar ainda antes das revistas europeias da especialidade anunciarem a descoberta deste material.
    Abílio Nunes dos Santos Júnior era um homem de larga visão e um perfeccionista. Não estando satisfeito com o material que se encontrava à venda em Portugal deslocou-se aos Estados Unidos, onde adquiriu o que de mais moderno existia para emissoras de rádio.
    Foi no dia 25 de Outubro de 1925, pelas 20 horas, que a CT1AA reiniciou as emissões regulares em Onda Média, desde o estúdio 3, situado na Rua do Carmo.
        As instalações da “CT1 AA” foram ampliadas para a Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 144. Uma distância de 400 metros separava os estúdios dos emissores e era percorrida por cabos aéreos que faziam as ligações necessárias. A estação emissora tinha linhas permanentes nas salas Portugal e Algarve da Sociedade de Geografia e também nos Teatros variedades, Maria Vitória e Almeida Garrett.
    Ao tomar conhecimento de que o estado português se preparava para montar Emissora Nacional de radiodifusão, Abílio Nunes dos Santos Júnior toma a decisão de encerrar a sua estação. Este pioneiro entendeu que o seu dever patriótico de dotar o país de uma verdadeira estação emissora de radiodifusão sonora tinha chegado ao fim. As emissões da “CT1 AA –Estação Rádio de Lisboa”, terminam em 1934.
    Alguns dos aparelhos foram vendidos à Emissora Nacional e outros a Varela Santos que não os podendo manter acabou por os vender a Américo dos Santos, o proprietário da Rádio Graça - uma popular estação emissora de Lisboa. Américo dos Santos não tinha qualquer filiação com Abílio dos Santos - contrariamente ao que alguns livros e documentários televisivos afirmam.
        Abílio Nunes dos Santos Júnior nasceu em Lisboa a 1 de Janeiro de 1892 faleceu na mesma cidade em Março de 1970.



NOME: Rádio Colonial
INDICATIVO OFICIAL: CT1AA (1926) CS2WA (1937)
FUNDAÇÃO: 1926
FECHO: 29 de Setembro de 1938
INSTALAÇÕES: Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 144
PROPRIETÁRIO: Abílio Nunes dos Santos Júnior
EMISSÃO: 50,17 m (1926). 31,25 m – 9600 kHz (1934)
POTÊNCIA: 250 W

      O emissor de Onda Curta da CT1AA destinava-se a emissões para as colónias ultramarinas, América e Europa. O indicativo era, em 1927, “CT1AA – Rádio Colonial”, com a alteração da legislação em 1937 o indicativo oficial passou a ser CS2WA.
      Os programas da “Rádio Colonial” eram diferentes dos da “Rádio Portugal”. Ao encerrar as emissões para Portugal, em Onda Média, Abílio Santos continuou a emitir em O.C. até achar que o país já estava dotado de uma estação nacional para os portugueses espalhados pelo mundo, o que viria a acontecer em 1938.
   Abílio dos Santos Júnior não se desfez de todo o equipamento que possuía continuando nas horas vagas a ter como passatempo a rádio escuta, um QSL com a data de 1952 da “CT1 AA” afirma isso mesmo.

 
NOME: Rádio Hertziana / Rádio Acordéon
INDICATIVO OFICIAL: CT1 BO
FUNDAÇÃO: 1928
INSTALAÇÕES: Rua Bernardo Lima
PROPRIETÁRIO: Abílio Cunha
EMISSÃO: 1057 kHz
    A “Rádio Hertziana” apresentava-se como “Estação experimental portuguesa CT1BO de Lisboa”.
    Nos anos 30 existiam dois estúdios e um deles era dedicado só a musica “ao vivo”.
    Foram convidados da “Hertziana” Alice Orgando, Dr. Mário Monteiro, Pinto de Balsemão, Jaime Migueis, Pinto de Magalhães e Fernando Garcia.
    A “Rádio Hertziana” mudou de nome e de proprietário em 1938. Com esta alteração passou a chamar-se “Rádio Acordéon .



INDICATIVO: Rádio Sonora / Rádio Voz de Lisboa
INDICATIVO OFICIAL: CT1 LN (1929), CT1 AN (1934) CS2ZM (1937)
FUNDAÇÃO: 1929
INSTALAÇÕES: Rua Morais Soares, 88, 1.º Esquerdo
PROPRIETÁRIO: Francisco Lacombe Neves
EMISSÃO: 283,6 m (1931)
POTÊNCIA: 10 W
     A “Rádio Sonora” iniciou as suas emissões experimentais a 18 de Junho de 1929. Mais tarde passou a chamar-se “Rádio Voz de Lisboa”, para não haver confusões coma sua congénere do Porto, a “CS1SR – Sonora Rádio”.   
     Por esta Rádio passaram locutores como Armando Vieira, Elisio Limpo de Lacerda, Rutílio Graça, José António Costa e António Sousa Barradas. Esta emissora teve uma colaboração com a revista “O Mosquito” para emissões infantis. Depois foi a vez da revista “Tic-Tac” dar a sua colaboração ao programa, que era dirigido por Luís Ferreira – O tio Luís, para a pequenada.
   O maestro e compositor Carlos Caldeirão também colaborou com a estação, assim como muita gente ligada ao teatro: Emilia de Oliveira, Dina Teresa, Filomena Casado, Lina Demoel, Maria Albertina, Alfredo ruas, Rafael Marques e Silvestre Alegrim. A “Voz de Lisboa” teve como locutores Armando Vieira, Elísio Limpo de Lacerda, Rutílio Graça, José António Costa e António Sousa Barradas.
 

INDICATIVO: Rádio Motorola / Rádio Peninsular
INDICATIVO OFICIAL: CT1 MO (1929) CS2ZI (1937)
FUNDAÇÃO: 1929
INSTALAÇÕES: Rua Voz do Operário
PROPRIETÁRIOS: Irmãos Amadeu Rodrigues da Silva Laranjeira e Fernando da Silva Laranjeira
EMISSÃO: 1349 kHz (1937)

    A popular fadista Hermínia Silva e o consagrado actor João Villaret foram colaboradores desta estação.
    Esta emissora teve também uma orquestra privada que actuava de quinze em quinze dias - a “Orquestra Típica Os Teimosos”.
A 10 de Junho de 1933, a “Rádio Motorola” passa a chamar-se “Rádio Peninsular”.
    A 10 de Junho de 1933, a “Rádio Motorola” passa a chamar-se “Rádio Peninsular”. Não satisfeitos com as instalações da Travessa da Pereira acabam por se mudar para onde era o Teatro de Gil Vicente na Rua Voz do Operário. 
    A Rádio Peninsular foi a estação centralizadora dos postos de Lisboa, a partir de Setembro de 1939. Em 1944, Artur Agostinho era locutor desta estação.
  
INDICATIVO: Rádio Graça
INDICATIVO OFICIAL: CT1 DR (1932) CS2 ZD (1937)
FUNDAÇÃO: 27 de Março de 1932
PROPRIETÁRIO: Américo Francisco Santos, Alice Santos e Alberto dos Santos.
INSTALAÇÕES: Rua Machado de Castro, 3 – 1º (Bairro da Graça) (1932). Rua Carvalho Araújo, F.M. 1º. (1933), Rua da Verónica (1938)
EMISSÃO: 1411 kHz
POTÊNCIA: 7 W (1932); 20 W, 30 W (1933); 50 W, 150 W (1934); 300 W (1935).
Américo Santos era guarda-livros de profissão, os tempos livres ocupava-os com experiências de rádio - a sua paixão.
    Construiu ele mesmo o seu primeiro emissor, que tinha só 50 watts de potência. As primeiras emissões eram preenchidas apenas com breves saudações aos radiouvintes que, eventualmente, o escutassem. As suas primeiras emissões foram ouvidas em Tomar.
    As primeiras instalações da Rádio Graça foram na Rua Machado de Castro onde emitia em 629 kHz, o indicativo oficial era CT1 DR.  Mudou depois para a rua Senhora da Glória (no Bairro da Graça) e finalmente, em 1937, as instalações eram na Rua da Verónica. Nesta altura emitia em 1411 kHz.
     A Rádio Graça emitiu em 31 de Janeiro de 1943, a primeira emissão da Rádio Mocidade - da responsabilidade da Mocidade Portuguesa. Esta emissão seria um ensaio para a futura Rádio Juventude.
    Américo Santos era um homem com a paixão da rádio. Para melhorar a qualidade e o alcance da Rádio Graça foi adquirindo material e inclusive um emissor “novo” que tinha sido da emissora “CT1 AA”. Sem um suporte publicitário que lhe permitisse manter a emissora, Américo Santos ficou sem dinheiro. Os moradores do Bairro da Graça ao saberem dessa situação formaram a “União dos amigos da Rádio Graça” - que chegou a ter perto de dois mil associados.
    A “União” não durou muito, e passado algum tempo - outra vez com falta de capital - Américo Santos deixa de emitir só voltando às lides radiofónicas em 1949, integrado  nos “Emissores Associados de Lisboa”.

INDICATIVO: Rádio Hertz / Rádio Continental
INDICATIVO OFICIAL: CT1 BM (1926), CS1 AA (1930) CS2 ZE (1937)
FUNDAÇÃO: 1929
INSTALAÇÕES: Rua Renato Baptista, 43 – 2º. (1929), Rua do Cardal, à Graça, no n.º 5 (1935)
PROPRIETÁRIO: Fernando Cardelho de Medeiros
EMISSÃO: 283,6 m (1929) 1492 kHz (1935)
POTÊNCIA: 500 W (1931)
     Este Posto apresentava-se como “Estação do Posto Rádio-telefónico de Lisboa CT1 BM”. Depois como “CS1 AA – Rádio Hertz” em Onda Média e “CS1 AB – Rádio Hertz” em Onda Curta.
     Fernando Cardelho de Medeiros começaria a sua actividade em 1914, emitindo apenas umas palavras: “Está Lá? Ouve Bem?”, lendo depois uns livros sobre TSF em francês. O único senfilista à escuta ouviu-o numa Galena - o Dr. Lomelino - que estava a 100 metros de distância. Voltou a emitir no dia do seu aniversário em 24 de Abril, mas desta vez com música: ligou uma grafonola ao microfone e emitiu o “Festival de Wagner”. Foi ouvido por 3 “senfilistas”. Abandonou depois o projecto, desconhecendo-se exactamente o que o levou a tal decisão, e só retornou aos trabalhos de “Telefonia Sem Fios” vários anos depois. Quando conseguiu os seus intentos fundou a “Estação do Posto Rádio-telefónico de Lisboa CT1 BM”. Esta emissora só se chamaria “Rádio Hertz” em 1930.
     Para além da Onda Média emitiu também em Onda Curta. Por esta estação passou muita gente ligada ao Teatro.
     Aos sábados o jornal “Gazeta do Sul” tinha na “Rádio Hertz” um programa intitulado “Meia Hora Cultural”. Este posto chegou a emitir concertos em directo do Café Nacional e também em directo Fados e Guitarradas desde o Café Mondego.
 Foram seus Locutores Fernando Medeiros, Alda Medeiros e Luís Costa. A “Rádio Hertz” acabaria por mudar de nome para “Rádio Continental”, pois Fernando Medeiros dizia que “Hertz” era difícil de pronunciar e entender. Um dos indicadores disso era a correspondência que recebia. Algumas cartas eram endereçadas à  “Rádio Esso”.
    A Rádio Hertz emitia de Segunda-feira a Domingo cerca de duas horas por dia em diversos horários.    
  
INDICATIVO: Rádio Luso
INDICATIVO OFICIAL: CT1 KM (1934), CS2 ZH (1937)
FUNDAÇÃO: 1932
INSTALAÇÕES: Calçada dos Barbadinhos, 94 – 3º. Dtº (1932), Rua dos Açores (1940)
PROPRIETÁRIO: João Dias Pais
EMISSÃO: 222,2 m – 1350 kHz (1932), 719 kHz (1940)
    A “Rádio Luso” começa a funcionar a 8 de agosto de 1932 em regime experimental. Só a 17 de Junho de 1933, é que entra em funcionamento regular.
    Foram seus locutores Joaquim Velez Caroço, Jaime Paiva, Alberto Pereira Diogo, Aníbal Guilherme Gonçalves, Joel Santana e António Neves Guia.
    A “Rádio Luso” era financiada e apoiada tecnicamente pela Alemanha. Este país usava-a para difundir a propaganda Nazi em Portugal. A Rádio Luso tinha excelentes estúdios e chegou a ser a terceira rádio mais ouvida em 1938.
    Quando os Nazis perderam a guerra a Rádio Luso fechou. passado algum tempo o material foi mudado para umas águas–furtadas na Praça das Flores em Lisboa e recomeçou a emitir, mas agora ligada à “Mocidade Portuguesa”, com as ideias do estado novo e com o nome de “Rádio Juventude”.
     Desta emissora nasceria em 3 de Abril de 1950 a “Rádio Universidade”.
  
INDICATIVO: Rádio S. Mamede
INDICATIVO OFICIAL: CS2 ZK (1937)
FUNDAÇÃO: 1933
PROPRIETÁRIO: J. Costa Paes
    Embora já existisse desde 1933, só em 19 de Maio de 1934, é que foi feita a primeira emissão oficial. A potência do emissor era de apenas 50 watts.
    O primeiro locutor da estação foi Augusto Simão Lopes, depois juntaram-se-lhe António Cardoso Lopes, Alberto de Oliveira Cosme, António de Sousa Honrado, Manuel de Guimarães, Raul Correia e Jaime dos Santos Migueis. Este locutor fazia um programa dedicado ao público infantil, que terminou abruptamente com o seu desaparecimento prematuro.
  
INDICATIVO: Rádio Condes
INDICATIVO OFICIAL: CT1EB (1930), CS2ZC (1937)
FUNDAÇÃO: 23 de Maio de1925
PROPRIETÁRIO: Arnaldo Abreu
INSTALAÇÕES: Avenida da Liberdade.
EMISSÃO: 250 m (1925), 283,6 m (1931),1411 kHz (1935)
POTÊNCIA: 5 W (1925), 30 W (1931)
     A “Rádio Condes” estava instalada no cinema Condes. Esta emissora teve um interessante programa educativo: O primeiro curso de “Telegrafia Sem fios” (o código Morse) ao microfone, em 1933, por Manuel Tavares, que foi o primeiro locutor do posto emissor.
     Rollim de Macedo foi autor da primeira revista radiofónica. Esta foi representada e difundida na “Rádio Condes” em Fevereiro de 1934.
     Esta emissora fundiu-se com o Clube Radiofónico de Portugal em Agosto de 1938.

INDICATIVO: Clube Radiofónico de Portugal
INDICATIVO OFICIAL: CS2 ZN (1937)
INSTALAÇÕES: Rua Visconde de Juromenha.(1932) Rua Renato Baptista, 43 (1935)
FUNDAÇÃO: 27 de Junho de 1932
EMISSÃO:  453,2 m (1932), 39,34 m – 7625 kHz, 222,6 m.
POTÊNCIA: 100 W (1932), 150 W (1934)
    O C.R.P. era um Clube com vários associados radioamadores e profissionais. Até 1934, emitiu na Rádio Hertz com o indicativo CS1 AA, de Fernando Cardelho Medeiros, depois, durante alguns meses, emitiu desde a Rádio Luso. Finalmente passou a emitir com instalações próprias em Janeiro de 1935.
    O Clube Radiofónico de Portugal teve como locutor Artur Agostinho nos anos 40, e fez um intercâmbio de programas com a Ideal Rádio do Porto. O C.R.P. afirmava que era uma colectividade de rádio e recreio e não, essencialmente, uma estação emissora. Publicava o Boletim “O Radiofónico” uma vez por ano. 

INDICATIVO OFICIAL: CT1 DH (1928), CS2 ZF (1937)
FUNDAÇÃO: 1928
INSTALAÇÕES: Rua Andrade, 2
PROPRIETÁRIO: Luiz Rau Salles
EMISSÃO: 779 kHz (1931) 212,6 m – 1411 kHz. (1937)
POTÊNCIA: 40W (1928), 1 kW (1931)
     Apresentava-se como “Posto CT1DH de Lisboa”. Teve programas, com historietas, dedicados á infância em 1931.     

INDICATIVO OFICIAL: CS2WF
PROPRIETÁRIO: Liceu Pedro Nunes
EMISSÃO: 49,9 m – 6003 kHz (1943)
  
 INDICATIVO: Rádio Juventude
FUNDAÇÃO: 1945
INSTALAÇÕES: Praça das Flores (1945)
PROPRIETÁRIO: Mocidade Portuguesa
     A Rádio Luso, quando encerrou em 1945, deu lugar à Rádio Juventude.

INDICATIVO: Rádio Restauração
FUNDAÇÃO: 1945

INDICATIVO: Rádio Universidade
FUNDAÇÃO: 1950
INSTALAÇÕES: Praça das Flores (1950), Rua D. Estefânia, 14 (1955)
PROPRIETÁRIO: Mocidade Portuguesa
EMISSÃO: 718 m (1950), 418 m (1956)
    A Rádio Luso, quando encerrou em 1945, deu lugar à Rádio Juventude e esta, por sua vez, transformar-se-ia na Rádio Universidade, que era a designação dos estúdios radiofónicos do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa. As emissões faziam-se através dos emissores de Lisboa 2 da EN. O acordo entre o CUL da MP e a EN permitiu que esta "cumprisse" - nos relatórios - as obrigações internacionais que mandavam disponibilizar “X” horas mensais de programação para a juventude, feita por jovens.
    A RU trabalhava em regime totalmente amador, sem quaisquer remunerações; as suas verbas - exíguas - saíam do orçamento do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa.
    Com a revolução de Abril de 1974, a R.U. terminou as suas emissões. No período controverso que se seguiu à revolução, as instalações foram vandalizadas, sendo destruído um património valioso.



INDICATIVO: Emissores Associados de Lisboa
INDICATIVO OFICIAL: CSB 6
PROPRIETÁRIO: Rádio Graça, Clube Radiofónico de Portugal, Rádio Peninsular e Rádio Voz de Lisboa. As Rádios Peninsular e Voz de Lisboa estavam associadas como Rádio Alfabeta.



POSTOS DE TELEFONIA SEM FIOS


INDICATIVO OFICIAL: P1PS (1917), P1AB (1924)
FUNDAÇÃO: 1917
FECHO: 1925
INSTALAÇÕES: Rua da Bitesga, 75
PROPRIETÁRIO: José Joaquim Sousa Dias de Melo
EMISSÃO: 450 m, 240 m (1917), 130 m (1923), 40 – 60 m (1924)
    Este posto emitia em código Morse desde 1917, só passando a emitir em “fonia” em 1924.
    Este foi o primeiro radioamador de Lisboa. J.J. Dias de Melo emitiu em Morse e depois passou a experiências com fonia. Começou com pequenas chamadas a um auditório desconhecido: “Alô, alô, aqui posto Português PS”. As chamadas foram feitas primeiro em 450 m, depois foi diminuindo o comprimento de onda: 240 m, 200 m, 130 m e finalmente 40 –60 m.
    Este amador fazia frequentemente chamadas ao posto P1AC, de Luís A. Pereira Chaves - um radioamador de Tavira.


INDICATIVO OFICIAL: P1AC
INSTALAÇÕES: Rua de Serpa Pinto, 7
FUNDAÇÃO: 1925
PROPRIETÁRIO: Eduardo Dias.
EMISSÃO: 250 m
POTÊNCIA: 50 W
    “Rádio Lisboa” era o nome da casa comercial que suportava a emissora. Em 1924 Eduardo Dias recebe o código de chamada P1AC e efectuou alguns concertos em 1924 e 1925, divulgados na imprensa da época, mas rapidamente se dedicaria ao radioamadorismo.


INDICATIVO OFICIAL: P1AE
FUNDAÇÃO: 1924
INSTALAÇÕES: Rua Costa do Castelo, 15, 1º.
PROPRIETÁRIO: Eugénio de Avilez.
POTÊNCIA DO EMISSOR: 50 W
EMISSÃO: 80 m (1924).
     O Tenente Eugênio de Avilez foi o presidente da “Rádio Academia de Portugal”, uma associação que foi dissolvida em favor da “Sociedade Portuguesa de Amadores de T.S.F.” que acabaria, também, por encerrar. Eugénio Avilez fundou então a R.E.P. - Rede de Emissores Portugueses, em 1926. P1AE era, essencialmente, um posto de radioamador.
     A R.E.P. passou a representar os interesses dos radioamadores portugueses.


INDICATIVO OFICIAL: P1AF
INSTALAÇÕES: Praça Marquês de Pombal, 3 1º.
PROPRIETÁRIO: António da Costa Faria
EMISSÃO: 80 m.


INDICATIVO OFICIAL: P1AL
INSTALAÇÕES: Avenida Miguel Bombarda, 78
PROPRIETÁRIO: José Joaquim Lourenço


INDICATIVO OFICIAL: P1AR
INSTALAÇÕES: Avenida Gomes Pereira, 39
PROPRIETÁRIO: António Lemos
EMISSÃO: 250 m.


INDICATIVO OFICIAL: P8AM
INSTALAÇÕES: Rua Newton, 21 – 2.º  Dtº.
PROPRIETÁRIO: Maurice Eugene Mussche
     Maurice Mussche era um imigrante belga, naturalizado português, proprietário de uma loja na Rua Garret 8 – 18, em Lisboa, que comercializava artigos eléctricos - especialmente equipamento para emissão e recepção rádio. P8AM efectuou algumas emissões de concertos, mas em 1925 já só se dedicava ao radioamadorismo puro.
   
    
INDICATIVO OFICIAL: CT1 EK
PROPRIETÁRIO: Guilherme Castro
INSTALAÇÕES: Travessa da Bica, 13 (aos Anjos)
EMISSÃO: 46 m
POTÊNCIA: 8 W    
  
INDICATIVO OFICIAL: CT1 FS
PROPRIETÁRIO: Luís Filipe da Silva
INSTALAÇÕES: Rua Tomás Anunciação, 118 – r/c.
EMISSÃO: 44,5 m

INDICATIVO OFICIAL: CT1 HX
PROPRIETÁRIO: José P. d’E. Ventura Franco
INSTALAÇÕES: Estrada de Benfica, 400
POTÊNCIA: 1,5 kW

Pequenos Postos de Radiofonia

     Na década de 1920 e 1930, surgiram muitos postos em Lisboa, mas muitos eram demasiado pequenos e de cunho bairrista e colectivista, que muitas vezes só emitiam em ocasiões especiais e dos quais pouco se sabe. Rádio Guia; Rádio do Parque, situada perto do Parque Eduardo VII; Rádio Inglaterra, na Travessa dos Enviados de Inglaterra; Rádio Beira-Mar; Rádio Santa Marta, na Rua de Santa Marta; Rádio Maxim’s e CT1DT-Rádio Dine, no Largo do Rato, foram alguns postos que surgiram e que rapidamente desapareceram.

INDICATIVO: Alcântara Rádio
INDICATIVO OFICIAL: CT1 GK
FUNDAÇÃO: 1931
PROPRIETÁRIO: João Marques Rodrigues
    João Marques Rodrigues era um operário modesto que tinha uma grande paixão pela rádio e por isso montou a “Alcântara Rádio”.
    Esta emissora teve uma programação popular onde o Fado era a primeira escolha.
  
INDICATIVO: Rádio Rio de Mouro
FUNDAÇÃO: 1931
PROPRIETÁRIO: Álvaro de Andrade

INDICATIVO: Estação Experimental da Revista Radiofonia
INDICATIVO OFICIAL: CT1EF
FUNDAÇÃO: Setembro de 1931
PROPRIETÁRIO: Revista Radiofonia
EMISSÃO: 286 m
  
INDICATIVO: Rádio Clube de Lisboa
INDICATIVO OFICIAL: CT1 IN (1929), CT1 DS (1932)
FUNDAÇÃO: 1932
PROPRIETÁRIO: Ilídio Neves
INSTALAÇÕES: Rua de S. Gens, 3 (à Graça)
EMISSÃO: 283,6 m (1929)
POTÊNCIA: 5W (1929)
    A “CT1 DS” começou a emitir a 2 de Março de 1932
  
INDICATIVO: Rádio Lusitânia
INDICATIVO OFICIAL: CT1 DE
 Este posto pertencia a uma casa que comercializava equipamentos eléctricos.
  
NOME: Rádio Propaganda
INDICATIVO OFICIAL: CT1 CT
INSTALAÇÕES: Rua Gomes Freire, 79, 2º.
EMISSÃO: 31 m e 24,53 m
POTÊNCIA: 500 W
FUNDAÇÃO: 1934
FECHO: 1936
     O posto “CT1 CT” transmitia diariamente programas em Inglês, Francês e português das 21 horas às 24 horas.
   

Jorge Guimarães Silva

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Ultima actualização: 21 de Maio de 2010



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