110 ANOS DE RADIODIFUSÃO SONORA




    Hoje em dia, o gesto de ligar um receptor radiofónico e sintonizar a emissora de rádio favorita é tão simples, que praticamente nem se dá conta disso. A rádio é quase omnipresente nas nossas vidas. Onde quer que esteja, se estiver a ouvir música, é muito provável que a fonte seja uma estação de radiodifusão. As emissões podem ser analógicas ou digitais, hertzianas terrestres ou por satélite e, ainda, através da Internet. Mas nem sempre foi assim.
    Antes do advento da radiodifusão, as únicas fontes musicais, para além das actuações de músicos ao vivo, eram fonogramas (discos, cilindros ou fios de arame magnetizados) com uma qualidade sonora extremamente fraca e, como tinham um preço elevado, não estavam ao alcance de todos. Também as notícias só chegavam com os jornais e nem sempre eram recentes.
    Foram muitos os que de alguma forma contribuíram com inventos ou estudos para que a rádio fosse uma realidade. Não só na forma, mas também no conteúdo. Ainda antes do invento da transmissão de sinais à distância sem fios, já se utilizava o telefone de uma forma similar ao que viria a ser a rádio. O húngaro Tuvadar Puskas efectuou, em 1893, o primeiro noticiário para vários telefones. Estava criado o princípio Broadcasting – de um para muitos.
    A Telegrafia Sem Fios (T.S.F.), cuja patente foi atribuída a Guglielmo Marconi, existia desde 1896, sendo cada vez mais utilizada, dadas as suas vantagens. No entanto, desde logo houve quem tentasse reunir a facilidade de comunicação sem fios à distância com o conforto do telefone, já que este, por possibilitar a transmissão de sinais eléctricos complexos que permitiam a modulação de voz ou música, não exigia profundos conhecimentos de código Morse, necessário para comunicações de T.S.F.. O padre brasileiro Landell de Moura foi um dos que faziam, desde fins do século XIX, estas experiências, tentando – e muitos dizem que o conseguiu – transmitir a voz à distância através de ondas electromagnéticas. Seria, no entanto, Reginald Aubrey Fessenden que em 1900 - ano em que Marconi inventou a sintonização do comprimento de onda - conseguiria transmitir a sua voz através de um circuito sem fios. A experiência ficou registada para a posteridade num registo áudio.
    A dificuldade de transmitir a voz humana numa onda electromagnética foi facilitada com várias invenções. Em 1904, John Ambrose Fleming desenvolve o tubo de eléctrodos a vácuo (Válvula Termiónica), chamou-lhe Díodo. Em 1906, o cientista norte-americano H. C. Dunwoody descobre que cristais como a Galena (Sulfureto de Chumbo) podiam “detectar” ondas electromagnéticas de forma mais eficaz que o cohesor de Brandly. Neste ano, Lee DeForest baseia-se na Válvula Termiónica e inventa o Tríodo.
    As principais peças electrónicas para que a rádio fosse uma realidade estavam inventadas. Só faltava alguém que reunisse estas e outras e as usasse. Na noite de natal de 1906, o inventor canadiano Reginald Aubrey Fessenden, que vinha a trabalhar num emissor que reunia a mais moderna tecnologia, efectuou a primeira emissão de radiodifusão sonora, oferecendo aos operadores de Telegrafo de barcos fundeados ao largo de Brant Rock, Massachussets, EUA, o primeiro programa de rádio.
    O espanto dos radiotelegrafistas deveria ter sido enorme, pois em vez do crepitar dos sinais de Morse nos auscultadores, ouviram a voz de Fessenden, que leu algumas palavras da Bíblia, tocou Oh Holly Night no seu violino e desejou bom Natal a todos os que o escutavam. Este foi o evento que marcou o nascimento da radiodifusão sonora.
 (1) – Fessenden a trabalhar na sua estação de Brant Rock.

(Em construção)


(1) – Foto retirada do sítio The Hammond Museum of Radio





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